Psicóloga
Alexandra Regina Baldessini CRP
06/91328 Jaú/SP |
NEURO PSICOLOGIA DAS EMOÇÕES A avaliação neuropsicológica pode ser utilizada, para a realização de um diagnóstico ou então para documentação, acompanhamento ou fins legais, em casos de diagnósticos conhecidos. Muitos déficits não têm a magnitude suficiente para serem evidentes ao exame clínico, não obstante poderem comprometer o funcionamento diário do paciente. Alguns déficits exigem o emprego de materiais específicos de teste para sua demonstração. Déficits sutis de memória podem prenunciar quadros mórbidos bastante graves e exigem um exame extenso e aprofundado, que pode demorar várias horas ou mesmo dias. Cabe ressaltar ainda que indivíduos com nível alto de funcionamento pré-mórbido, podem sofrer declínio de funções e ainda assim, permanecer com desempenho dentro da faixa de normalidade, sem comprometimento significativo da vida diária. Suas queixas neste caso podem ser interpretadas erroneamente caso não seja realizada uma avaliação neuropsicológica detalhada. Os escores de testes são abstrações realizadas a partir de observações do desempenho do paciente. Eles expressam um cálculo matemático que compara o desempenho com o de um grupo normativo pareado por sexo, idade e escolaridade. Muitos testes no Brasil não possuem grupo normativo adequado, o que indica cautela na interpretação do alguns resultados. Alguns testes revelam ter um mesmo perfil de grupo normativo em diferentes culturas, outros são altamente variáveis dependendo do grupo testado. Alguns testes se prestam a análise qualitativa, outros não. Vários testes possuem uma forte correlação entre si e discrepâncias eventuais indicam comprometimento cognitivo, mesmo na inexistência de grupo normativo. Alguns testes são altamente dependentes da idade (como os que exigem destreza visuomotora), outros da escolaridade (corno os que exigem vocabulário); alguns sofrem influência de ambos os fatores e outros pouco se modificam através de amplas faixas etárias e dos níveis sócio-econômicos. O laudo de uma avaliação deve ser idealmente realizado por profissional capacitado, que conheça princípios de neurofisiologia e neuroanatomia, clínica neurológica e psiquiátrica, estatística, metodologia científica e tenha íntima compreensão da estrutura, validade e confiabilidade de cada teste que utiliza. A dominância hemisférica é determinada pela localização do centro de linguagem; ela pode ser determinada pelo Teste de Wada por ocasião de ato neurocirúrgico e, na prática clínica diária, estimada pelo inventário de lateralidade. Em 95% dos destros e 65% dos canhotos (a maioria, portanto) o hemisfério dominante é o esquerdo. Os canhotos tendem a ser menos "lateralizados", isto é, têm menor grau de especialização dos hemisférios. O hemisfério esquerdo tende a ser mais volumoso, diferença esta por conta das áreas de linguagem (plano temporal). Há diferenças quanto à neurotransmissão e também quanto à organização: enquanto rio hemisfério esquerdo (HE) existe uma organização integrada, com áreas especializadas ("centros"), no hemisfério direito (HD) parecem existir "redes", mas não "centros". Isto justificaria o fato de lesões em diferentes áreas e, mesmo do diferentes proporções no HD, cursarem com déficits muito semelhantes. O HE realiza um processamento linear, analítico, como no caso das locuções verbais, proposições matemáticas e programação de seqüências motoras. O HD realiza um processamento configuracional, sintético. O HE media funções verbais tais como leitura, escrita, fala, ideação verbal, memória verbal e sistema numérico. O HD media funções não verbalizáveis, tais como funções visuo-perceptivas (percepção de formas, perspectiva, duas e três dimensões, etc.). O HD também é denominado de cérebro emocional, pelo fato de processar e atribuir significado à prosódia do discurso, às expressões faciais, o reconhecimento de estados afetivos, dentre outros. A música é processada pelo HD em indivíduos não-músicos (que "sentem" o que ouve) e pelo HE em músicos (que "analisam" o que ouvem). Enquanto o julgamento métrico é uma função esquerda, discernir qual entre dois objetos está mais próximo é função direita. Cálculos que envolvem organização espacial (mentalmente ou no papel) exigem processamento direito, mesmo que o sistema numérico seja processado pelo esquerdo. Atualmente muitos autores dedicam-se ao estudo das síndromes de desconexão e sua relação com estados dissociativos variados. Como os hemisférios dominante e não-dominante parecem processar de modo diferente os eventos, além da "dominância emocional" do hemisfério direito, deficiências na comunicação entre os hemisférios podem se associar a quadros dissociativos, em especial os que envolvem amnésia. A neuropsicologia das emoções é uma área de muito interesse atualmente e curiosamente, vem oferecer novos entendimentos para fenômenos bem conhecidos clinicamente e até então explicado apenas por teorias relacionadas à psicanálise. Lesões à direita comprometem o tato bilateralmente, enquanto aquelas à esquerda o comprometem apenas de modo contra-lateral. O HE também é menos eficiente na percepção de formas, texturas e padrões, quer por tato ou visão. Pacientes lesionados à direita podem ser fluentes e até verborrágicos, mas fazem em geral julgamentos pobres, ilógicos, com generalizações inadequadas. Eles podem ter dificuldade em ordenar, organizar e extrair sentido de situações ou estímulos complexos a que são apresentados. Há importantes diferenças também entre homens e mulheres quanto ao desempenho em testes neuropsicológicos, à semelhança do que ocorre em várias outras tarefas, como a escuta dicótica. Homens são mais hábeis em testes com rotação espacial de objetos, em raciocínio matemático, em tarefas motoras dirigidas a um alvo e em encontrar rotas (direções) num caminho. Mulheres tendem a ser mais rápidas e precisas em parear estímulos semelhantes, em testes de fluência verbal, em cálculos simples e em memorizar pontos importantes num caminho. Há estudos sugerindo que homens homossexuais têm pior desempenho em tarefas visuo-espaciais e melhor desempenho em fluência verbal (em relação aos heterossexuais). Psicologia Jaú™ Todos Direitos ® Reservados Desenvolvido
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